Seu seguro negou a indenização? Entenda quando essa recusa pode ser questionada
- Dra Andrea Ribeiro Lobo

- 28 de mar.
- 2 min de leitura
Atualizado: há 3 horas
Ter o seguro negado é um dos momentos mais frustrantes pra quem contratou um seguro justamente pra ter proteção.
Você comunica o sinistro…E recebe uma resposta negativa.
A partir daí começam as dúvidas:
Essa negativa está correta?
A seguradora pode fazer isso?
Ainda existe alguma forma de reverter essa decisão?
Antes de qualquer coisa, é importante entender um ponto:
nem toda negativa está correta.
Com a Lei nº 15.040/2024, que trouxe novas regras para o contrato de seguro no Brasil, ficaram mais claros alguns deveres importantes, tanto do segurado quanto da seguradora.
E isso impacta diretamente na forma como essas negativas devem ser analisadas.
Na prática, existem situações em que a seguradora pode recusar o pagamento.
Mas também existem muitos casos em que essa recusa pode ser discutida.
E é justamente nessa análise que entra o olhar técnico do direito dos seguros.
Pra te ajudar a entender melhor, veja algumas das situações mais comuns:
1. Informações incorretas ou incompletas na contratação
O contrato de seguro funciona com base na boa-fé.
Isso significa que, na hora de contratar, você precisa informar corretamente tudo o que influencia o risco.
Problemas podem surgir quando há, por exemplo:
– omissão de doença em seguro de vida ou saúde
– uso diferente do veículo (ex: trabalho não informado)
– informações incorretas sobre o bem segurado
Nesses casos, a seguradora pode usar isso como justificativa para negar ou reduzir a indenização.
Mas nem toda situação é automática, muitas vezes é preciso analisar se essa informação realmente impactava o risco.
2. Sinistro fora da cobertura contratada
A apólice define o que está coberto, e o que não está.
Mas aqui existe um ponto importante:
essas exclusões precisam estar claras no contrato.
Se houver dúvida na interpretação, ou se a cláusula não for clara, isso pode abrir espaço para questionamento.
3. Agravamento do risco
Durante o contrato, algumas mudanças podem aumentar o risco segurado. Por exemplo:
– mudança na forma de uso do veículo
– alteração na atividade profissional
– mudança nas características do bem
Se isso não for comunicado, a seguradora pode usar como argumento para negar a indenização.
Mas, na prática, nem toda mudança justifica a negativa.
Depende de como isso impactou o risco, e isso precisa ser analisado com cuidado.
4. Descumprimento de obrigações após o sinistro
Depois que o sinistro acontece, você também tem alguns deveres:
– comunicar o ocorrido
– apresentar documentos
– colaborar com a análise
O descumprimento intencional dessas obrigações pode gerar problemas.
Mas exigências excessivas ou desnecessárias também podem ser questionadas.
Um ponto que muita gente não sabe: A seguradora também tem deveres.
Ela precisa:
– explicar claramente o motivo da negativa
– justificar tecnicamente a decisão
– respeitar prazos para análise
Sem isso, a negativa pode ser considerada irregular.
No fim das contas…
Receber uma negativa não significa, automaticamente, que você perdeu o direito à indenização.
Muitas vezes, o problema está na forma como o contrato foi interpretado, ou aplicado ao seu caso.
E é exatamente aí que uma análise jurídica mais aprofundada faz diferença.
Se você passou por isso, vale refletir: A negativa foi por qual motivo?
– exclusão de cobertura
– alegação de informação incorreta
– agravamento do risco
– interpretação da apólice




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